Das coisas nascem coisas – Bruno Munari

Título Original: Das coisas nascem coisas

Autor: Bruno Munari

Editora: Martins Editora

Resenha de: Lucas Vinícius Oliveira Colebrusco

Lucas Vinícius Oliveira Colebrusco é estudante do curso de Design da Universidade de São Paulo. Já possui alguma atuação como ilustrador de livros infantis e na manutenção do site da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP mas busca conquistar seu espaço na área de projeto de produto, que o fez escolher esta profissão.

“Das coisas nascem coisas” é um livro de fácil leitura e grande abrangência dentro do campo do projeto de design, o que, consequentemente, pode deixar a desejar em profundidade para alguns leitores. Quanto ao conteúdo, é claramente dividido em partes, mas partes que naturalmente se conectam, gerando uma leitura dinâmica, o que recorda o próprio título do livro.

Inicialmente, apresenta um pouco de teoria do design através de uma metodologia de projeto bem funcionalista, apresenta o que é um problema, como deve ser encarado e uma ficha de análise bem abrangente. Outras coisas interessantes, como os diferentes tipos de desenhos e a função de cada um deles, complementam essa parte. O autor compara um projeto de design a um processo de preparo de um prato na culinária. Segundo o próprio autor, “o método de projeto não é mais do que uma série de operações necessárias, dispostas em ordem lógica, ditada pela experiência”. (MUNARI, 1981).

Uma crítica que faço, ainda sobre a primeira parte, é sobre o capítulo “Em que setores se encontram problemas de design’”. Nele, aparentemente Munari tem a intenção de mostrar a grande abrangência do design, mas, pelo contrário, acabou gerando um documento datado, sendo que o próprio autor defende muito o conceito de atemporalidade no design. Com o passar do tempo, novos produtos, necessidades e tecnologias vão aparecendo e o fato de listar o que é design é uma tarefa muito complicada.

Na segunda parte, o autor analisa muitos casos que formam a parte mais volumosa do livro. São casos realmente interessantes, de diversas áreas do design e que servem até mesmo para que o próprio leitor questione os processos e as soluções finais. Destaque para o capítulo “Os pré-livros” (análise de projeto do próprio Munari) que, sendo um projeto direcionado ao público infantil, foi necessário aplicar os conceitos de funcionalidade através de uma nova perspectiva.

Entrando na terceira parte, reaproveitamento, percepção, biônica, proxêmica, ergonomia, iluminação e moldes, são assuntos que aparecem em capítulos (praticamente com estes mesmos nomes) trazendo informações indispensáveis aos leitores. Para os designers, estas são questões que envolvem conceitos, técnicas e processos básicos, importantes no processo de desenvolvimento de um projeto.

Por fim, nos deparamos com um capítulo magnífico no qual Munari lembra da importância de projetar para todos os sentidos, delegando assim, uma imensa responsabilidade ao designer. Ele apresenta uma imagem do chamado “homem do futuro”, deformado por projetos falhos, imagem nada agradável e que encerra o livro num tom de forte crítica.

Como já era de se esperar, não se trata de uma obra pessoal. Publicado em 1981, momento subsequente ao período de sucesso internacional do design italiano, o livro carrega características de muitos designers deste país naquela época. Preza pela funcionalidade das coisas sem esquecer que funcionalidade pura não serve para seres humanos, pois não somos robôs, além de apresentar um senso crítico muito apurado que chega a passar para o campo da crítica social.

Referências:

BÜRDEK, B. E. – Design – História, Teoria, e Prática do Design de Produtos. São Paulo: Edgard Blucher, 2006

Wikipedia: Bruno Munari – link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruno_Munari

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